Depois de meio século, Ford encerra produção de veículos no ABC

O fechamento de uma empresa sempre termina com muitas lamentações e revolta, afinal pessoas são demitidas, se sentem perdidas e desamparadas quando o ficar desempregado em período de falta de emprego é preocupante e até desesperador. Quando o abaixar de portas envolve grandes fábricas, o impacto é ainda maior. Foi exatamente isso que ocorreu com a multinacional Ford no Brasil fechou suas portas no ABC no final do mês de outubro.

Cotidiano
4 meses atrás
Depois de meio século, Ford encerra produção de veículos no ABC

No mesmo ano em que completa seu centenário no Brasil, e mais de meio século no ABC, especificamente em São Bernardo do Campo, SP, a multinacional norte-americana, a Ford, fechou as portas em 30 de outubro.

Foi nesse dia que foi fabricado o último caminhão no país, bem como a lembrança do último veículo produzido pela montadora na fábrica do ABC.

A fábrica foi desativada, mas os modelos serão comercializados até durarem os estoques. Os últimos caminhões sairão da linha de montagem. A produção de carros terminou em junho.

Embora a montadora já tivesse anunciado o fim da linha em fevereiro desse ano, na ocasião tratado também como presságio sobre o fim do Fiesta, outro veículo da montadora que parou de ser produzido.

A desolação ficou forte, por ser a fábrica mais antiga da Ford no Brasil, o clima era de tristeza. Atualmente, continua em produção o Ka e EcoSport na fábrica de Camaçari, na Bahia

Fim da linha

Foi em 19 de fevereiro desse ano que a Ford fez o primeiro comunicado de que fecharia a fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

O clima de despedida começou com o fim da produção do Fiesta. Desde então, somente caminhões da série F e da linha Cargo continuaram sendo produzidos no ABC.

Despedida da fabricação do Fiesta na montadora de São Bernardo (Foto: Assessoria de Imprensa FORD)
Despedida da fabricação do Fiesta na montadora de São Bernardo (Foto: Assessoria de Imprensa FORD)

Com o encerramento das atividades em 30 de outubro, aproximadamente 600 funcionários que atuavam na linha de montagem foram dispensados. Já quem atua na área operacional, outros 1.000 colaboradores, devem continuar empregados pelo menos até março de 2020.

A tradicional unidade da Ford em São Bernardo do Campo empregava 2.800 funcionários. Quando definiu que encerraria as atividades, a montadora divulgou um plano de demissão voluntária.
Os aproximadamente 650 funcionários que ainda estavam em atividade já tiveram sua dispensa iniciada.

O acordo previa um PDI, plano de demissão incentivada, com apoio psicológico aos empregados e um curso de requalificação profissional com aprendizados realizados em conjunto com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

A definição de fechar a fábrica surgiu após a Ford notar que seria necessário um grande investimento para modernizar a unidade no ABC e sem nenhuma previsão de retorno a curto e médio prazos, fundamental quando se trata desse setor.

Somado a isso, surge o fato da montadora decidir por deixar de atuar no segmento de caminhões na América do Sul.

A fim de evitar o fechamento da fábrica de São Bernardo, a Ford até buscou um comprador para a operação de caminhões que mais acarretava em prejuízos. No entanto, como não deu certo, a montadora preferiu arcar com as despesas pelo fechamento, algo em torno de R$ 1,7 bilhão.

Mesmo com as decisões tomadas, existe uma esperança de serem revertidas já que a cúpula da fabricante segue em negociações na tentativa de negociar a sede com Caoa, porém sem conclusão até o então.

O que se sabe é que o sindicato que representa a categoria, em reunião com os trabalhadores na fábrica, prometeu cobrar o BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, para que aprove o financiamento pedido pela CAOA para efetivar a compra da planta da Ford.

Comunicado importante

Em fevereiro de 2019, a Ford soltou uma nota explicando sua retirada do mercado de caminhões, considerando ser um importante marco para o retorno à lucratividade sustentável de suas operações na América do Sul.

Ford também anuncia sua retirada o mercado de caminhões (Foto: Divulgação)
Ford também anuncia sua retirada o mercado de caminhões (Foto: Divulgação)

A nota trazia ainda uma importante informação concluindo que essa decisão faz parte do plano de reestruturação global da marca, que acabará de estabelecer uma parceria com a Volkswagen para fabricação de picapes de médio porte.

Além de reduzir os custos com o quadro de funcionários e estrutura administrativa na região do ABC, a Ford volta seus esforços e investimentos na linha de SUVs e picapes. Isso resultou em outro anúncio ruim para os amantes da marca: Focus e Fusion não terão novas gerações.

1967, o início de tudo

Foi em 1967 que a unidade do ABC paulista abriu as portas. Isso ocorreu com o agrupamento da Willys Overland do Brasil. Nessa fábrica foram lançados modelos que fizeram história no Brasil e daqueles que até hoje lembram com saudades de carros como como Corcel, Maverick, Del Rey, Pampa, Escort, Ka, Courier e Fiesta.

O Corcel chegou em 1968 e virou paixão de muitos e por muitos anos (Foto: Divulgação)
O Corcel chegou em 1968 e virou paixão de muitos e por muitos anos (Foto: Divulgação)

Com a operação em expansão, os negócios da marca no país cresceram e também foi nessa sede que surgiram o clássico Jeep Willys e o utilitário Rural, modelos de grande sucesso.

Ao longo dos anos, a Ford diversificou sua linha de automóveis com o lançamento de carros próprios que se tornariam ícones da indústria nacional.

História

Ford: a primeira no Brasil

Foi em 1976 que a montadora se estabeleceu em São Paulo, em São Bernardo
Foi em 1976 que a montadora se estabeleceu em São Paulo, em São Bernardo

A marca Ford é uma empresa do setor automobilístico antenada na tecnologia para que se posicione positivamente no que diz respeito à mobilidade do futuro, com carros inteligentes e dinâmicos, autônomos e conectados. Os investimentos vieram desde sempre junto com as intenções de seu fundador, o visionário e idealizador Henry Ford de tornar o automóvel acessível para as massas. Por isso os investimentos foram pesados e a busca pela qualificação de pessoas, pesquisas e inovação foram maciças.

Foi assim que Ford desenvolveu o método de produção em série de veículos revolucionando o mercado mundial, não apenas de veículos, mas em diversos setores da economia que tiveram nele, a fonte de inspiração e sucesso.

Com o êxito e uma forte atração pelo potencial industrial e econômico do Brasil que, em 1919, produziu o Modelo T.

Começou dessa maneira uma história e a memória centenária de um empenho generalizado de profissionais empenhados em fazer os melhores produtos para contribuir na evolução social, econômica e cultural da nação Brasileira.

*Com informações e fotos da Assessoria de Imprensa da Ford

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