Mosquito da dengue, o Aedes aegypti, inimigo do verão

Com a aproximação do verão, aumentam as chances de proliferação e casos de doenças provocadas pela picada do Aedes aegypti, o mosquito da dengue. Evitar a proliferação é obrigação do poder público, mas principalmente de cada pessoa, não apenas no período mais quente quando o calor aperta e o consumo de água e sua utilização é maior, mas deve fazer parte da rotina o ano todo.

Saúde
5 meses atrás
Mosquito da dengue, o Aedes aegypti, inimigo do verão

Outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti

A atenção tem de se voltar também para outras doenças provocadas pelo mesmo mosquito que também é responsável pela transmissão da febre chikungunya e o zika vírus, culpado por alcançar vários casos de bebês com microcefalia em alguns estados do Brasil.

Na maioria dos casos os sintomas dessas três doenças são parecidos e consistem em febre alta, dores nas articulações, tontura, dor muscular e de cabeça, fadiga excessiva e vômito, muito embora cada pessoa possa reagir de forma diferente aos sintomas, mas sempre com semelhanças nos que são padrão.

Aparência Aedes aegypti

Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue (Agência Brasil)
Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue (Agência Brasil)

Menor do que os mosquitos comuns, o Aedes aegypti é um mosquito preto com listras finas brancas no tronco, na cabeça e nas pernas. Notar sua aproximação é quase impossível, considerando que o ruído que ele produz é quase inaudível ao ser humano.

Como ocorre com a maioria das espécies de mosquitos, o macho se alimenta apenas de frutas por conta da frutose. Porém, a fêmea, precisa de sangue para a maturação dos ovos que são colocados nas partes internas dos objetos, perto das superfícies da água limpa, ambiente fundamental e propício para o ciclo que permitirá a sobrevivência dos mosquitos que virão.

Apesar de parecer pouco, cada mosquito vive, aproximadamente de um mês a um mês e meio. A fêmea é capaz de por mais de cento e cinquenta, podendo chegar a 200 ovos, o que já muda expressivamente a quantidade desses insetos que estarão voando e procurando alvos, principalmente quando postos por uma fêmea contaminada pelo vírus da dengue. Assim, ao completarem seu ciclo evolutivo, certamente transmitirão a doença.

Onde os ovos do Aedes aegypti são depositados

Alguns esclarecimentos são fundamentais. Muitas pessoas acham que os ovos são depositados na água, o que não é verdade. Eles são assentados milímetros acima de sua superfície, principalmente em recipientes artificiais.

Daí, os fundamentais e imprescindíveis cuidados, uma vez que, ao chover, o nível da água sobe, entra em contato com os ovos que eclodem em pouco menos de 30 minutos. O processo é tão rápido que, no período que varia de sete a nove dias, a larva passa por quatro fases até dar origem a um novo mosquito. São elas: ovo, larva, pupa e adubo.

Recipientes prediletos para esse processo podem ser latas ou garrafas vazias. Outros objetos como pneus, caixas d’água descobertas, calhas, pratinhos que são colocados debaixo de vasos de plantas ou qualquer coisa suspeita que possa armazenar água da chuva são os lugares prediletos para o Aedes aegypti depositar seus ovos.

O inseto busca a reprodução e pode procurar ainda criadouros e ambientes naturais, como plantas que tenham sustentabilidade em suas folhas, a exemplo das bromélias, bambus e buracos em árvores.

Mesmo tendo sido encontrado na zona rural, ele é um mosquito urbano. Nativo das regiões tropical e subtropical, o Aedes não resiste a baixas temperaturas presentes em altitudes elevadas. Uma vez infectada, a fêmea transmitirá o vírus por toda a vida. Os mosquitos costumam atacar de manhãzinha ou ao entardecer.

Evitando a proliferação

Atenção aos locais onde pode ser o criadouro.Imagem: Tomaz Silva (Agência Brasil)
Atenção aos locais onde pode ser o criadouro. (Imagem: Tomaz Silva Agência Brasil)

Para evitar a proliferação do mosquito, a participação da população é fundamental e a prevenção é bastante simples. Basta não deixar quantidade nenhuma de água acumulada em recipiente ou lugares que possibilitem a reprodução.

O certo é cobrir os baldes e galões em que se armazena água, colocar areia nos pratos de suporte que tem vasos de planta e ficar bem atento para não fique água parada e aglomerada em pneus e garrafas.

Quando o período é propício, todo cuidado necessário. O combate à dengue é uma responsabilidade dos órgãos públicos e de toda população. O mosquito Aedes aegypti se reproduz em qualquer lugar que houver água parada limpa ou pouco poluída. A conscientização da população e a tomada de medidas são de fundamental importância nesse momento.

Agora é Lei

Com tantos casos registrados nos últimos anos e apesar das constantes campanhas de conscientização e da pouca participação da população, a fiscalização acabou virando lei.

Com essa norma em vigor, os agentes de combate a endemias que trabalham no combate ao Aedes Aegypti podem realizar entrada forçada em imóveis públicos e particulares abandonados ou sem a presença de pessoa que possa permitir o acesso ao local ou no caso de recusa de acesso.

Caso a pessoa sinta alguns dos sintomas que consistem em febre, dor nas articulações, dor muscular e de cabeça, fadiga excessiva e vômito, deve procurar uma unidade de saúde mais próxima. Em episódios de focos do mosquito, uma das medidas a ser tomada é buscar ajuda entrando em contato com a secretaria de saúde de sua cidade.

Para tratar isso é fundamental que haja uma hidratação maciça, de forma direcionada e com bastante critério. Toda a administração de eventuais medicamentos precisa de acompanhamento, principalmente em razão dos sintomas apresentados pela pessoa que foi picada pelo mosquito e contaminada.

Os sinais e sintomas, normalmente característicos do paciente precisam ter um especialista para decidir as condutas e também reconhecer, de preferência de forma precoce dos sinais de alarme, como por exemplo, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosa, dores de cabeça ou outra hemorragia.

Uso de repelentes e inseticidas

  • Os cuidados no uso de repelentes e inseticidas no combate ao Aedes aegypti são básicos e devem seguir um padrão:
  • Repelentes de uso tópico precisam ter a aplicação feita nas áreas expostas do corpo e por cima da roupa;
  • A reaplicação deve ser realizada de acordo com indicação de cada fabricante;
  • Para aplicação na forma de spray em áreas delicadas como no rosto ou em crianças que tem a pele mais sensível, o ideal é aplicar primeiro na mão e observar se há alguma reação e depois espalhar no corpo, lembrando sempre de lavar as mãos com água e sabão depois da aplicação.
  • Em caso de contato com os olhos, é importante lavar imediatamente a área com água corrente.

Principais cuidados para evitar a proliferação

  • Não deixar água parada em pneus fora de uso. O certo e bem funcional é fazer furos nestes pneus para evitar o acúmulo de água;
  • Não deixar água acumulada em lugar nenhum, principalmente em locais mais propícios, como sobre a laje, por exemplo;
  • Água parada nas calhas da residência também é ambiente excelente para o mosquito, fique de olho e não deixe. Remova as folhas, a sujeira e tudo que possa impedir a passagem e circulação da água.
  • Aquele famoso pratinho que normalmente e fica embaixo dos vasos de plantas e que normalmente ficam com água parada deve ter essa água eliminada e ser substituída por areia ou ficar secos, sem nada;
  • As caixas de água que servem as residências devem ser cuidadas constantemente e limpas sempre que possível, em intervalos não maiores que onze meses. Devem estar fechadas, vedadas e tampadas, sempre observando se esses procedimentos se mantêm com o passar dos dias. Os mesmos cuidados valem para poços artesianos ou qualquer outro tipo de reservatório de água;
  • Outros objetos como vasilhas utilizadas como bebedouro para animais podem ficar, no máximo, um dia com a mesma água;
  • As piscinas e locais de lazer que usem grande quantidade de água devem ter tratamento de água específico e adequado. Caso não haja utilização frequente precisam ser desativadas e com o cuidado de ser mantida sempre secas;
  • Garrafas e outros recipientes parecidos e assemelhados devem ser armazenados em lugares cobertos e sempre de cabeça para baixo.
  • Se não forem ter utilização, é bom que sejam descartados no lixo da forma correta: embrulhados em sacos observando que devem estar secos.
  • Observar com rigor o descarte de lixo que tem de ser feito no lugar certo e nunca em terrenos baldios. Outro detalhe é manter os latões e baldões de lixo sempre bem fechados;
  • A atenção especial deve ser dedicada às plantas bromélias que costumam ter água entre suas folhas por ter formato propício para o acúmulo de líquido. Bem por esse motivo que existe a recomendação de regar a planta com a mistura de 1 litro de água e uma colher de água sanitária.
  • É importante que a colaboração seja sistemática e, se surgir alguma situação ou dúvida nesses procedimentos que impeçam a solução, é preciso comunicar de imediato um agente público de saúde em busca de orientação segura e medida eficaz para coibir a proliferação.

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