Revolução Farroupilha, a mais longa guerra civil brasileira

Com vários nomes e muita história para contar, a Revolução Farroupilha, também conhecida como Guerra dos Farrapos, é considerada a mais longa guerra civil brasileira que terminou com o território litigante a fazer parte do Império do Brasil, de D. Pedro II.

História
5 meses atrás
Revolução Farroupilha, a mais longa guerra civil brasileira

O embate que durou 10 anos ficou conhecida como a guerra regional, de caráter republicano, contra o governo imperial do Brasil, na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul, e que resultou na declaração de independência da província como estado republicano, dando origem à República Rio-Grandense.

Dentre os objetivos, pagar menos impostos foi o que conduziu o atrito que também recebeu os nomes de Tratado de Poncho Verde, Convenção de Poncho Verde ou Paz de Poncho Verde, e teve o fim anunciado em 1º de março de 1845, quando prevaleceu a paz.

Durante a revolução, a questão da abolição da escravatura também esteve envolvida, organizando-se exércitos contando com homens negros que aspiravam à liberdade.

Objeto de muita discussão, sua invalidade e possível inexistência não garantiriam a continuidade física nem política da República Rio-Grandense, pois o território foi plenamente reintegrado ao Império e, posteriormente, à República brasileira.

Mesmo assim, está simbolicamente permanente na bandeira e no brasão do estado do Rio Grande do Sul, da mesma forma que outros estados brasileiros mantiveram em seus símbolos cívicos sinais de movimentos emancipadores.

10 anos de revolução

Foi entre os anos de 1835 e 1845 que a revolução tomou conta do Rio Grande do Sul, então província de São Pedro do Rio Grande do Sul.

Confronto dos Farrapos demorou 10 anos eclodiu no Rio Grande do Sul e configurou-se na mais longa revolta brasileira
Confronto dos Farrapos demorou 10 anos eclodiu no Rio Grande do Sul e configurou-se na mais longa revolta brasileira

Entre as causas está a desistência do trono pelo imperador Dom Pedro I em favor de seu filho Dom Pedro II. Esse episódio se deu em 1831, mas o fato dele ainda ser uma criança, não obedecia às determinações de maioridade da antiga Constituição para de fato reinar o país e isso se tornou um grande problema.

Mesmo assim iniciou-se um período de Regência, uma administração de mudança para conduzir o Brasil até que o novo imperador tivesse idade suficiente para liderar.

Faltando paciência e sobrando insatisfação aos gaúchos devido aos altos impostos cobrados sobre os produtos rio-grandenses, como charque, erva mate, couro, sebo e graxa, ficou cada vez mais insustentável segurá-los e fazê-los mudar de ideia.

Somado a isso, os gaúchos que já simpatizavam com ideais republicanos e buscavam maior autonomia, em 1835, Antônio Rodrigues Fernandes Braga foi nomeado presidente da província, em princípio para acalmar os ânimos. Contudo, seus conceitos não agradaram os liberais, dando início ao conflito.

O atrito

Liderados por Bento Gonçalves, em 20 de setembro de 1835, revolucionários assumiram a cidade de Porto Alegre e coagiram a retirada das tropas imperiais do local.

Dentre as exigências do grupo estava a reivindicação da nomeação de um novo presidente, porém o novo governante não compactuou com o pedido dos farroupilhas.

Em 1836 com a revolução em plena expansão, os insurgentes anunciaram independência com a República de Piratini, também conhecida de República Rio Grandense, com Bento Gonçalves como presidente.

Mas a festa não durou muito, pois o governo imperial, como esperado, não reconheceu a emancipação e continuou batalhando.

Em meio a essa luta, o líder da revolução acabou sendo detido quando o movimento já estava concretizado com líderes como o general Antônio Souza Netto, David Canabarro e o italiano Giuseppe Garibaldi, um importante ícone da unificação italiana.

Com o passar dos anos, vieram novas vitórias e, em 1839, chegaram a apossar-se da cidade de Laguna, em Santa Catarina, onde proclamaram a República Juliana.

A pacificação

Depois de anos de batalhas e desentendimentos, em meados de 1840, Dom Pedro II assumiu o reino e buscou apaziguar a Nação, que estava revoltada também com outras províncias além do Rio Grande do Sul. As forças militares de seu governo mostraram seu poder a partir de 1842 e comandadas por Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, passaram a controlar a revolta, tomando de volta cidades dominadas pelos farroupilhas.

Ao completar dez anos de conflito, em 1º de março de 1845, já enfraquecidos após diversos tropeços e uma série de negociações entre o Duque de Caxias e as lideranças da revolução, os farroupilhas acolheram um contrato com o governo, no conhecido Tratado de Ponche Verde.

Caxias e Davi Canabarro entraram em acordo e festejaram a paz que colocou fim a mais longa guerra civil brasileira. Os que faziam parte do grupo de revoltados acabaram anistiados, enquanto os soldados e oficiais farroupilhas foram adicionados ao exército imperial.

Tradições e costumes gaúchos

Centenas de pessoas acompanham, por época de setembro nas ruas de Porto Alegre, o tradicional Desfile Farroupilha, evento que promove as recordações, hábitos e costumes culturais do povo gaúcho, quando é lembrada no dia 20, a Revolução Farroupilha, que durou dez anos, a partir de 1835.

A tradição é tão forte que as mulheres desfilaram paramentadas com vestidos longos e cheio de prendas, enquanto os homens, com botas, bombachas, camisa e lenços característicos trajes usados à época e muitos deles, quase todos, montados em cavalos e em carrocerias de carretas rurais .

Usando trajes típicos, cavaleiros festejam Dia Farroupilha em Porto Alegre (Foto: Daniel Isaia-Agência Brasil)
Usando trajes típicos, cavaleiros festejam Dia Farroupilha em Porto Alegre (Foto: Daniel Isaia-Agência Brasil)

Tropas e cavalarias da Brigada Militar gaúcha e de outros órgãos de segurança pública também participam.

*Com informações da Agência Brasil

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